quarta-feira, 23 de junho de 2010

Profecia.

 

1

- Não chore. Não chore, por favor.
Não me arrependo.. Ainda tens muito de viver..

- Amor, por favor…

- Seja feliz. Por m-mim.
..

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Estávamos em frente a minha casa. Numa noite de sexta-feira, calma, sem carros, com poucas pessoas e bem silenciosa.

- Só um minuto, esqueci meu celular.
Irei pega-lo, rápido. Prometo.

- Tudo bem, amor. Sem pressa.

Subi as escadas, entrei em meu quarto e peguei o celular.
Descendo, ouvi um som. Um som estranho, alto. Corri ainda mais com curiosidade, queria saber o que era aquilo!
Abri a porta de casa..

- LARISSA.. !!

Gritei, correndo até alcança-la. Ela estava no chão, com sangue para todo lado..
Não agüentei de dor naquele momento. Ajoelho-me diante dela e levemente abraço seu corpo. Não conseguia fazer nada,
se não chorar.
No susto, desejei poder salva-la de algum modo, entregando minha vida se possível. Gritei para Deus, o mais alto que pude, usando todas as forças que me restavam na hora.

- Por favor, senhor ! Não deixe que ela morra agora !
POR FAVOR !

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O relógio desperta. O calendário marcava Sábado.

É, tinha sido apenas um sonho.
Acordei assustado, lacrimejando. Embora não lembrasse de muita coisa. Quase caindo, com os olhos encharcados, corri até o telefone e liguei para saber se ela estava bem de verdade.

Sabendo que ela estava bem, pedi para que não fosse a lugar algum. Sem dizer o porque, pois no momento, nem eu sabia.
Ela sentiu o quão assustado eu estava. Mas ela não pretendia sair hoje. Deixando-me mais calmo.

Fiquei tentando lembrar daquele sonho, jogado no sofá de casa.
Pensava, pensava, pensava.. Mas nada era concreto além da dor de que sentia.
Resolvi ligar novamente para ela. Fui até o quarto, peguei o telefone e liguei para o celular dela.
O celular tocou algumas várias vezes, até ser atendido. E mesmo assim, não era ela. Sua mãe havia atendido o telefone.
Perguntei onde Larissa estava. E tudo o que soube responder, era de que ela havia saído e parecia bem deprimida.

Assustado desliguei rapidamente o telefone.. E lá em baixo a campainha toca.
Corro até lá, já imaginando ser ela. Me acalmei um pouco quando vi estar certo.
Atendi a porta.

- O que está fazendo aqui? Pedi para que não saísse de casa !
Sem pensar, comecei a resmungar para ela.

- Desculpe, amor. Estava preocupada com você.. Tinha que vir aqui vê-lo.
Não conseguia resistir ao jeito que falava, ao jeito que me olhava. E logo me acalmei.

- …Tudo bem, levarei você até em casa.. Já está anoitecendo. E ligue para sua mãe, ela deve estar preocupada.

- Aahn, esqueci meu celular.

- Ah, havia esquecido disso. Eu ligarei então.

Resolvi leva-la de volta até sua casa. Mas havia notado de que meu celular não estava comigo.

- Só um minuto, esqueci meu celular.
Irei pega-lo, rápido. Prometo.

- Tudo bem, amor. Sem pressa.

Subindo as escadas, meu coração dispara, minhas pernas travam, começo a soar e todo o sonho havia se concretizado em mim em segundos. É, eu lembrava de tudo.

Desci correndo as escadas, o mais rápido que pude, quase tropeçando em cada degrau, com um nó enorme na garganta.
Abri a porta e lá estava.

- Passe tudo de valor que tiver !
Ela tremia para responder com aquela arma apontada em sua direção.

- Eu não tenho nada comigo ! Fique com meu relógio, por favor .. é tudo que tenho agora !
O ladrão não se contentou com o que ganharia nisso.

- Não arrisco minha vida para isso !
Antes de fugir, no medo de ser reconhecido, ele atira.

Por impulso, adrenalina.. e amor. Meu corpo queima e minhas pernas pulam na frente da bala. Fazendo assim o ladrão fugir.

- AMOOOOR.. !

Ela grita desesperadamente. Ajoelhando-se diante de mim tentando poder me abraça.
As lagrimas que pareciam correntezas, caiam sobre meu rosto. Eram as únicas coisas que sentia naquele momento.

Ela sem conseguir deixar de chorar.. me apertava, enquanto ligava para a emergência da cidade.

- Ficará tudo bem ! Eles já estão chegando !

Sem sentir nada, meu rosto encharcado por suas lagrimas, sorri.

- Não chore. Não chore, por favor.
Não me arrependo.. Ainda tens muito de viver..

- Amor, por favor…

- Seja feliz. Por m-mim.

Já não enxergava nada.. Então fecho meus olhos. Ouço ela gritando meu nome, me apertando, pedindo socorro..
Com o restinho de minhas forças, aperto fortemente a mão dela.. E sinto um pequeno frio na minha boca.. Recebo meu último beijo. Meu primeiro Adeus.

 

Se pudesse mudar o futuro… Seria mesmo o melhor para todos que fazem parte dele? Seria mesmo o melhor para você?

EDellus.

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