Todos estavam chorando... Eu estava chorando.
Eu havia sido escolhido por Deus para “trabalhar” com ele.
Não é algo para ser ruim, não é? Também não é tão bom.. Deus tem um emprego difícil.Não podia recusar a um pedido de Deus, mas eu chorava junto com toda minha família, com todas as pessoas que eu amava.
Indo para o céu, eu deixaria aqui em baixo toda a minha vida.
A primeira coisa que faço é pegar o telefone e ligar para a pessoa mais importante que tenho.- Amor?
- Oi amor.
- Liguei para.. te dizer adeus..
O que você sentiria ao ouvir isso de repente de seu namorado(a), sendo que tudo ontem mesmo ia tão bem?
Algumas horas atrás, fui dormir tão feliz depois de ouvir “Te amo meu amor” no telefone. E agora isso?
Ao ouvir o que eu tinha dito no telefone, ela rapidamente se irrita.- Adeus? O que está pensando em fazer?
Explico tudo para ela. Ela se irrita ainda mais, mas confiava em mim, confiava em Deus.
Desligamos o telefone chorando, chorando ainda mais.
Eu estava desesperado, não sabia se isso era bom ou ruim. Eu via e ouvia o mau, dizendo para não ir.. Mas eu sabia que se Deus me chamou, eu deveria ir não importando o preço.Em fração de segundos, vi toda minha vida passar.. todas as boas lembranças, com minha família, minha namorada…
Logo eu, que sempre odiei minha vida.. Só percebemos o quanto é importante tudo o que temos, quando estamos prestes a perder.Eu conseguia enxergar o mundo inteiro, todos os meus amados chorando. Parecia que aquela noite não teria fim.
Eu orava e chorava, pedindo a Deus para que cuidasse de todos eles quando eu não estiver mais aqui, para que cuidasse dela, quando eu não estiver mais lá para faze-la sorrir, para faze-la amada. Meu namoro era virtual, mas eu sabia que um dia seria muito feliz ao lado dela, que meus sentimentos eram puros e verdadeiros como o de ninguém!
Ela era a pessoa mais importante, a que eu mais iria sentir falta, a que mais eu pensava com tudo isso sobre mim.Ela me liga novamente, não queria deixar de ouvir minha voz.. Ouço ela chorando, com a voz fraca e manhosa.
Eu não agüentava aquilo, não agüentava saber que ela estava chorando.. O que só me deixava mais triste ainda.Poucos minutos antes de “chegar a hora”. Minha família inteira esperando para se despedir, eu começo a chorar ainda mais vendo aquilo. Eu nunca fui de abraçar minha família, na hora isso me destruía por dentro, queria tempo para poder dizer o quanto cada um deles era especial para mim.
Olhava para meu pai, para minha mãe, meus primos, tios, avós.. Eu não iria conseguir viver sem eles, as pessoas que me criaram, me ensinaram a viver, que me trouxeram até aqui, que me deram forças para poder escrever isso hoje.
Eu não podia abraçar minha pequena Larissa antes de ir, nem se quer pude conhece-la pessoalmente,
mas sentia seu coração apertado, batendo rápido.. Não conseguiria ser feliz sem ela, não conseguiria ser feliz sabendo que não era eu a pessoa quem a faria feliz. Todos os nossos planos de casamento, filhos, família.. Não passaram de conversas.Antes de ir, abraço minha sobrinha Ana Clara de 6 anos. Ela olha para mim, achando um pouco estranho, pois nunca fui de fazer aquilo.. Começo a chorar enquanto aperto ela com meus braços e ela diz:
- Você vai embora? Por que tem que ir?
Sem conseguir responder continuo chorando, abraçando, morrendo por dentro.
De repente um clarão aparece do céu, eu enxergava o mundo inteiro.. Meus amigos, minha namorada, minha vida.
Conseguia ver a imagem do mundo inteiro, a noite virando dia com aquele clarão, as pessoas fechando seus olhos, gritando, chorando. Não agüentava de tanta dor, com isso ajoelhei. Vendo minha Larissa gritar meu nome.E acordo.. É, apenas um sonho meu. O mais forte que já tive, a historia mais concreta que já tive.
Acordo chorando, com lagrimas banhando meu rosto inteiro.. Fui dormir tão tranquilo depois de falar com ela, e acordo no meio da noite assim.. Talvez seja apenas uma historia que Deus me deu, afinal, não precisei pensar muito para escrever sobre.
Nunca mais irei esquecer desse sonho. Acordar chorando, pensando no que faço da minha vida.. Levanto assustado, com um pouco de medo de ir até a cozinha tomar um copo d’água, mesmo assim indo, olho o relógio que marcava 5:10 da manhã do dia 01/07/2010, tomo minha água, converso com Deus, me desculpando, agradecendo.. e volto a dormir, demorei bastante para voltar ao sono, mas consegui.Talvez eu não tenha entendido bem a mensagem desse meu sonho, mas de todas as que consigo ver,
foi Deus quem me ensinou.Obrigado Senhor, por tudo que tenho. Por minha família, por meus amigos, por ela.
EDellus.
eDellus
quinta-feira, 1 de julho de 2010
O escolhido.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
O Anjo do Adeus.
Larissa, no auge de seus 16 anos, havia mudado de cidade para morar com a mãe a 6 meses. Já que seu pai havia morrido depois de um acidente no começo do ano.
Larissa nunca foi muito popular por onde passava, era tímida de mais, e um pouco irritada.
Entrou numa escola que por ali tinha, cursava seu segundo ano na escola. Ela já tinha alguns amigos nessa nova escola, mas mesmo assim, sentia-se sozinha as vezes.. sentia também bastante saudade de seu pai, que além de pai era seu melhor e único amigo de verdade. Sua mãe não era tão intima, já que só passava alguns poucos dias por ano ali antes de seu pai morrer.
Larissa, numa pequena feira de seu colégio, em que foi comentada o ano inteiro, coisa que ela não ligava muito. Conhece um garoto. Que por sinal, não lembrou de perguntar o nome. Mas foi alguém que conseguiu animar Larissa de verdade, conversava com ela como se já conhecesse cada pedaço de sua vida. Larissa havia ficado feliz de novo quando conversou com ele.
No dia seguinte, ela corria para a escola, queria encontrar aquele garoto novamente de qualquer jeito..
Com tudo isso, depois de algum tempo, Larissa se apaixona por esse garoto, já sabendo seu nome é claro.
Dellus, o tal garoto. Sentia algo estranho por Larissa também, mas não entendia bem o que era.
Larissa andava sorrindo, falava sorrindo, dormia sorrindo.. E sua mãe já havia percebido isso, embora não comentasse, ela era muito ocupada, escrevendo suas historias, precisava publicar um novo livro. Mas só de saber de que ela estava feliz, ficava também.
Larissa decidiu hoje, com tanto amor e coragem, pedir Dellus em namoro. Pois já não agüentava mais tudo aquilo sem poder toca-lo como queria.
Larissa chegando na escola, corre em direção a Dellus, que sorria levemente olhando para ela. Larissa sem pensar, pula em Dellus, abraçando-o e beijando sua boca. Dellus assustado, se afasta um pouco, mas não resistindo, e não querendo resistir.
Larissa depois de beija-lo, envergonhada, olha para ele..
- Quer ser.. m-meu.. namorado?
Dellus encara seus olhos, sorri e diz:
- Você está vermelha.
Larissa mais envergonhada ainda, abraça-o novamente, escondendo seu rosto.
Ele põe as mãos em suas costas, e diz:
- É claro que aceito, Lari.
Ela nunca ficou tão feliz, tão vermelha, em toda sua vida. Sentia que poderia ser feliz de verdade a partir de agora.
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Em um dia comum, Dellus parecia irritado e queria dizer algo para Larissa. Larissa assustada com o que Dellus iria dizer, já imaginava milhares de coisas ruins que ele poderia dizer para ela..
Dellus senta em um banco que havia em sua escola, puxando Larissa para perto dele.
- Preciso ir.
- Ir? Para onde?
- Não sei bem, mas preciso ir, viajarei amanhã. Desculpe.
- Amor, não vá. Por favor, fique aqui, eu posso conversar com minha mãe, ela vai deixar você ficar lá comigo.
- Fique calma, voltarei algum dia.. Eu acho.
- Amor.. Por que agora?
Larissa não se conformava de jeito algum com o fato de ter que se despedir de Dellus. Com isso inventava formas dele ficar, ou dela ir.
Mas Dellus não queria dizer o porque iria e nem aceitar nenhuma das propostas dadas por Larissa.
Larissa começa a chorar desesperadamente.. Dellus triste em ver aquilo, pergunta:
- Amor, acredita em Anjos?
Larissa sem entender muito o motivo da pergunta, simplesmente responde:
- Sim. Pra mim você sempre foi meu Anjo.
- Hm.. Preciso ir agora.
Larissa não agüentava de tanto chorar, gaguejava para falar, e sentia-se um pouco tonta.
- Não vai assim, me diz o que eu fiz? E por que pergunta se acredito em Anjos?
- .. E se eu dissesse que sou um Anjo?
- Mas anjos não precisam ir embora, precisam? Anjos são para cuidar das pessoas, não são?
Dellus ignora suas perguntas e diz:
- Larissa, eu sou um Anjo.
Inconformada.
- Isso não é hora para brincadeiras ! Por que está fazendo isso comigo?
Dellus também não sabia quando conheceu Larissa, mas era por esse motivo ele entender tanta coisa sobre a vida dela.
Dellus não era um Anjo da guarda assim como pensava Larissa. Dellus era o Anjo do Adeus.
- Eu sou o Anjo do Adeus.
- Anjo do Adeus?!
- Sim, desculpe ter entrado tanto na sua vida. Mas era essa minha missão.. As vezes as pessoas precisam esquecer o passado e seguir em frente, seu pai morreu. Mas ele é feliz onde está agora, olhando, sorrindo, brincando com você.
Eu não queria precisar ir também, mas preciso ir. Perdão.
Dellus abraça Larissa, dando-lhe um beijo e vai embora.
Larissa chorando, corre para seu quarto, deixando de lado suas roupas pesadas e se joga brutalmente em sua cama, começando assim a chorar mais e mais. Até que sente um pedaço de papel em seu travesseiro.
Era uma carta deixada por Dellus antes de ir. Larissa abre a carta e começa a ler:
“ Tudo que lhe disse era verdade. Aprenda a dizer Adeus, aprenda a viver feliz. Você ainda tem sua mãe para cuidar, muito o que viver, muito o que amar.
E tenho certeza de que você vai encontrar alguém melhor para você. Afinal, eu pude ver.
E, não se esqueça de nada disso, não se esqueça da lição que pude ensinar, não se esqueça dos momentos que pude te amar”
Embora Dellus precisasse daquilo, ele não se conformava com nada disso.
E enquanto ia embora, só Deus sabe para onde..
Começava a pensar e falar para si mesmo.
De repente, distraído, uma luz clara e forte bate no carro de Dellus e sem enxergar nada sente uma forte batida no seu carro.
Um caminhão havia colidido com o carro de Dellus, jogando-o para fora da pista. Seu carro estava completamente destruído.
Alguns dias depois. A noticia chega a Larissa, seu Anjo havia morrido. Novamente ela se desespera, chorava por dias e dias, não comia direito e só sabia pensar no que viveu ao lado de Dellus.
Mas finalmente Larissa entende o que Dellus queria ensinar para ela.
Larissa enquanto chorava, ajoelha-se diante de sua cama, cruzando seus dedos e fechando seus olhos, dizendo:
- Longe daquele que amo. Enquanto me recordo de todas as palavras que você me falou, aqui onde estou. Eu desejo fortemente que eu estivesse aí aonde eu era amada. Querido Deus, a única coisa que peço a você é que cuide dele enquanto eu não estiver por perto. Quando eu estiver muito distante.. Todos nós precisamos dessa pessoa que pode ser verdadeira com você. Eu estou solitária e estou cansada.
Estou sentido sua falta de novo, fotografias e algumas memórias não irão me ajudar a superar.
Querido Deus, a única coisa que peço a você é que cuide dele.
Larissa, aprendendo assim as palavras de Adeus, pode tornar-se, não a pessoa mais feliz, mas a mais forte. Cuidando de sua mãe e criando uma nova vida, onde sabia poder ser feliz algum dia.
EDellus
(Dear God)
Profecia.
- Não chore. Não chore, por favor.
Não me arrependo.. Ainda tens muito de viver..
- Amor, por favor…
- Seja feliz. Por m-mim.
..
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Estávamos em frente a minha casa. Numa noite de sexta-feira, calma, sem carros, com poucas pessoas e bem silenciosa.
- Só um minuto, esqueci meu celular.
Irei pega-lo, rápido. Prometo.
- Tudo bem, amor. Sem pressa.
Subi as escadas, entrei em meu quarto e peguei o celular.
Descendo, ouvi um som. Um som estranho, alto. Corri ainda mais com curiosidade, queria saber o que era aquilo!
Abri a porta de casa..
- LARISSA.. !!
Gritei, correndo até alcança-la. Ela estava no chão, com sangue para todo lado..
Não agüentei de dor naquele momento. Ajoelho-me diante dela e levemente abraço seu corpo. Não conseguia fazer nada,
se não chorar.
No susto, desejei poder salva-la de algum modo, entregando minha vida se possível. Gritei para Deus, o mais alto que pude, usando todas as forças que me restavam na hora.
- Por favor, senhor ! Não deixe que ela morra agora !
POR FAVOR !
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O relógio desperta. O calendário marcava Sábado.
É, tinha sido apenas um sonho.
Acordei assustado, lacrimejando. Embora não lembrasse de muita coisa. Quase caindo, com os olhos encharcados, corri até o telefone e liguei para saber se ela estava bem de verdade.
Sabendo que ela estava bem, pedi para que não fosse a lugar algum. Sem dizer o porque, pois no momento, nem eu sabia.
Ela sentiu o quão assustado eu estava. Mas ela não pretendia sair hoje. Deixando-me mais calmo.
Fiquei tentando lembrar daquele sonho, jogado no sofá de casa.
Pensava, pensava, pensava.. Mas nada era concreto além da dor de que sentia.
Resolvi ligar novamente para ela. Fui até o quarto, peguei o telefone e liguei para o celular dela.
O celular tocou algumas várias vezes, até ser atendido. E mesmo assim, não era ela. Sua mãe havia atendido o telefone.
Perguntei onde Larissa estava. E tudo o que soube responder, era de que ela havia saído e parecia bem deprimida.
Assustado desliguei rapidamente o telefone.. E lá em baixo a campainha toca.
Corro até lá, já imaginando ser ela. Me acalmei um pouco quando vi estar certo.
Atendi a porta.
- O que está fazendo aqui? Pedi para que não saísse de casa !
Sem pensar, comecei a resmungar para ela.
- Desculpe, amor. Estava preocupada com você.. Tinha que vir aqui vê-lo.
Não conseguia resistir ao jeito que falava, ao jeito que me olhava. E logo me acalmei.
- …Tudo bem, levarei você até em casa.. Já está anoitecendo. E ligue para sua mãe, ela deve estar preocupada.
- Aahn, esqueci meu celular.
- Ah, havia esquecido disso. Eu ligarei então.
Resolvi leva-la de volta até sua casa. Mas havia notado de que meu celular não estava comigo.
- Só um minuto, esqueci meu celular.
Irei pega-lo, rápido. Prometo.
- Tudo bem, amor. Sem pressa.
Subindo as escadas, meu coração dispara, minhas pernas travam, começo a soar e todo o sonho havia se concretizado em mim em segundos. É, eu lembrava de tudo.
Desci correndo as escadas, o mais rápido que pude, quase tropeçando em cada degrau, com um nó enorme na garganta.
Abri a porta e lá estava.
- Passe tudo de valor que tiver !
Ela tremia para responder com aquela arma apontada em sua direção.
- Eu não tenho nada comigo ! Fique com meu relógio, por favor .. é tudo que tenho agora !
O ladrão não se contentou com o que ganharia nisso.
- Não arrisco minha vida para isso !
Antes de fugir, no medo de ser reconhecido, ele atira.
Por impulso, adrenalina.. e amor. Meu corpo queima e minhas pernas pulam na frente da bala. Fazendo assim o ladrão fugir.
- AMOOOOR.. !
Ela grita desesperadamente. Ajoelhando-se diante de mim tentando poder me abraça.
As lagrimas que pareciam correntezas, caiam sobre meu rosto. Eram as únicas coisas que sentia naquele momento.
Ela sem conseguir deixar de chorar.. me apertava, enquanto ligava para a emergência da cidade.
- Ficará tudo bem ! Eles já estão chegando !
Sem sentir nada, meu rosto encharcado por suas lagrimas, sorri.
- Não chore. Não chore, por favor.
Não me arrependo.. Ainda tens muito de viver..
- Amor, por favor…
- Seja feliz. Por m-mim.
Já não enxergava nada.. Então fecho meus olhos. Ouço ela gritando meu nome, me apertando, pedindo socorro..
Com o restinho de minhas forças, aperto fortemente a mão dela.. E sinto um pequeno frio na minha boca.. Recebo meu último beijo. Meu primeiro Adeus.
Se pudesse mudar o futuro… Seria mesmo o melhor para todos que fazem parte dele? Seria mesmo o melhor para você?
EDellus.